19 de novembro de 2017

CEU promove discussão sobre políticas afirmativas e igualdade racial

Cris Franco (*)

Em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, a Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU) realizou no último sábado (18), mais uma edição do Café Filosófico. Com o tema Políticas Afirmativas e Igualdade Racial, nesta edição, os participantes discutiram sobre os negros no contexto histórico e na sociedade contemporânea.

Residentes e pessoas da comunidade participaram do evento (Fotos: Cristiano Sousa

O evento contou com a exibição do documentário “Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução”. O filme aborda a história do Partido dos Panteras Negras (PPN) pela busca dos direitos civis dos negros americanos, na década de 1960, em Oakland, na Califórnia, com base em cerca de três reinvindicações: moradia digna, emprego e fim da violência policial.

Participantes assistiram ao documentário "Os Panteras Negras:
Vanguarda da Revolução" (Fotos: Cristiano Sousa)

Referente à última reinvindicação proposta pelo PPN, o mestre em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Everton Rocha, que também é ex-residente da CEU, trouxe para o debate alguns dados com amparo no relatório divulgado pelo Mapa da Violência no Brasil em 2014. “A cada 23 minutos morre um jovem negro entre 15 e 29 anos de idade no Brasil, ou seja, enquanto o filme passava cerca de seis pessoas morreram”, destacou.

Em relação ao número de estudantes que têm acesso ao ensino superior, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 53,6% da população brasileira se declara preta ou parda, sendo o restante 45,5% brancos. Deste percentual, apenas 9,8% da população negra tem acesso às universidades federais.

É o que mostra o estudo realizado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Segundo a pesquisa entre os anos de 2013 e 2014, o número de estudantes pretos nas universidades federais cresceu de 5,9% para 9,8%. Para os alunos que se declaram pardos, o número passou de 28,3% para 37,7%.

Everton Rocha compartilhou várias experiências (Fotos: Cristiano Sousa)

Everton disse que, apesar de ser oriundo da Bahia, estado com maior número de negros no País, enfrentava essa situação. “Eu era o único negro da minha turma, durante a graduação não me sentia parte daquilo”, ressaltou. A estudante de farmácia da UFPR, Camila Guimarães, disse passar pela mesma situação. “Sou a única preta da minha sala”, afirmou.

Sobre a forma correta para se referir às pessoas afrodescendentes, a mestranda de História da UFPR, Samara Marques, explicou a diferença do substantivo “preto” e do adjetivo “negro”, sendo o primeira, a forma correta a ser usada. Segundo ela, o adjetivo “negro”, na maioria das vezes, está relacionado a conotações negativas. “Uma parede é branca e não clara. O mesmo acontece com a palavra preta. O certo é usar o substantivo, ou seja, uma pessoa é preta e não negra”, explicou.

Samara apontou, ainda, a diferença entre os conceitos de racismo e preconceito, “Racismo é uma discriminação social, estritamente ligada à história dos negros, já o preconceito é uma atitude discriminatória ampla”, concluiu.

Participantes aproveitaram as guloseimas preparadas pelos
estudantes moradores da CEU (Fotos: Cristiano Sousa)


Para as hóspedes de primeira viagem da CEU, Alice e Onira, ambas da cidade de Ampére, no interior do Paraná, o evento foi uma surpresa. “Ficamos felizes com a iniciativa e organização da CEU em relação a temáticas como essa”, comemoraram.

(*) Estudante de Mestrado em Ciência Política, na Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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