15 de agosto de 2013

Entrevista com o médico, e ex-morador, Geraldo Batista da Costa


Geraldo Batista da Costa tem 34 anos, é natural de Curvelo - MG, filho de um lavrador e de uma dona de casa. Cursou Medicina na UFPR de 2007 a  2013.

CEU. Quanto tempo você morou na casa?

Geraldo Batista. 8 anos e 1 mês, período no qual fiz um curso pré-vestibular, um ano de graduação em Enfermagem, além da graduação completa em Medicina e 4 meses em pós-graduação em Medicina de Família e Comunidade.

CEU. Quais principais fatos e contribuições suas para a CEU?

Geraldo Batista. Minha trajetória na CEU foi diversificada, mas antes quero deixar claro que ninguém produz nenhuma mudança sem ajuda de seus pares. Trabalhei no café da manhã, no almoço de domingo, em mutirões de limpeza, na manutenção, na sala de visitas, fui assessor e membro do Conselho Fiscal  quando iniciei minhas maiores intervenções: reorganizei o processo de encaminhamento para quartos, extingui o mau hábito de antigos moradores insistirem em morar sozinhos e não aceitarem “véia”. Organizei e conduzi toda logística de transferência dos moradores do bloco impar, para junto dos outros moradores do bloco Par, no início da reforma. Fiz uso desse processo de mudança para expulsar da CEU inúmeros parasitas que estavam aqui há anos sem estudar e com dívidas astronômicas.
Fui presidente do Conselho Administrativo, quando reorganizei o acesso a casa, com a instalação da catraca e portão eletrônico e controle de todos que entram na casa. Participei dos diálogos que estenderam a bolsa CEU UFPR de moradia até onde foi possível. Participei dos trabalhos iniciais que culminaram com a venda do terreno da CEU localizado em Pinhais. Enfrentamos processos, uma reforma interminável, (que com sorte parece vou ter a graça de ver concluída antes de retirar-me daqui), enfrentamos entrada e saída de funcionários, e o Ministério Público Estadual em nosso calcâneo exigindo transparência, e competência, que sempre foi nossa bandeira.
Contribui para organizar o sistema financeiro, e reduzir a taxa de inadimplência. As vezes me lembro de noites que ficamos mais de 6 horas seguidas cuidando de questões importantes (e tem gente que reclama de 6 horas mensais do crédito) Trabalhei todos os dias que aqui estive  amparado no senso de justiça e da honestidade, confesso que inúmeros momentos talvez tenha sido muito duro, mas preservei minha idoneidade. Não cabe  aqui nesse papel, ou em nenhum, as infindáveis horas de café e conversa pensando, e repensando, a CEU; Organizamos festas, excursões que contavam inclusive com a presença de mulheres diversificadas, o "futeba" na quadra mortal e na de areia, a amizade construída dia a dia, passo a passo. Quantas vezes defendemos NOSSA CASA da ignorância de pessoas que imaginam que aqui é um lugar de perdedores. Definitivamente não me considero um perdedor e conheço outros vários aqui  que estão longe de o serem, alias são exemplos irrefutáveis de superação.


CEU. Como pensa que a casa pode melhorar?

Geraldo Batista. Todos, eu digo todos, de moradores a ex-moradores devem se empenhar para continuar esse trabalho de fortalecimento  financeiro e administrativo de NOSSA CASA,  para que seja cada dia mais intensa e expressiva a contribuição para formação intelectual, cultural e humana de quem aqui está, e de quem nos acessa ou nos olha. E fundamental que a CEU seja um celeiro de mentes que trabalhe para o bem, pela justiça e honestidade. Ser DE BEM não pode ser opcional.
CEU. O que mais gostou?

Geraldo Batista. A paixão que este lugar desperta em meu coração. Como já disse em outros momentos vou levar minha experiência aqui para meus filhos, e para os filhos de meus filhos. Excentricamente tem uma certa pena de quem não teve o privilegio de fazer parte da historia desse lugar.
CEU. O que marcou sua estadia aqui?

Geraldo Batista. Pouca coisa! Nestas paredes conquistei o projeto mais importante de minha vida profissional. Graduei-me em Medicina por uma das mais respeitadas Universidades de nosso país.

CEU. Que experiências daqui levará para a vida?

Geraldo Batista. Além de tudo que já descrevi... levarei a gratidão... um homem sem casa e sem família é um desgraçado (des = ausência de graças) e aqui encontrei CASA e uma FAMÍLIA. Minhas várias experiências aqui, principalmente como administrador, me ensinaram que ninguém é auto suficiente, que em inúmeras situações existem outras pessoas tão capazes quanto você, e não raras vezes existem pessoas muito mais capazes que você, para certas funções. Beber do cálice da humildade pode render muita paz de espírito e um trabalho bem feito.


CEU. Quais pontos positivos de morar na CEU?

Geraldo Batista. Aqui entra desde localização, tranquilidade para estudar, aprendizado, preço, independência, a possibilidade de se fazer amigos brilhantes e se tornar uma pessoa muito melhor. O maior ponto positivo desde lugar é este lugar.

CEU. Quais pontos negativos de morar na CEU?

Geraldo Batista. Se você não estiver muito bem localizado em seus projetos você pode ir ficando aqui para sempre. O que há de pior aqui é o que torna este lugar mais fantástico, é excelente ao que se presta, mas ruim o suficiente para você querer ir embora, o que é necessário e fundamental no processo de crescimento pessoal. Na verdade o banheiro coletivo e dividir o quarto é um mal estar necessário para nos mandar embora quando tivermos feito o que viemos fazer, que é estudar.

CEU. Quais sugestões daria para a casa?
Geraldo Batista. Desenvolver no coração de cada morador, o que me propus quando montei minha cama, coloquei meu colchão, deitei, olhei para o teto e pensei: "Graças a Deus agora já tenho onde morar, não estou na rua". Meu acordo com minha primeira “véia” era deixar esse lugar melhor do que encontramos. Inicialmente isso se referia ao quarto apenas, mas com o tempo alcançou os corredores, os banheiros, os muros e de repente minha promessa tinha se misturado a tudo que diz respeito a esse lugar. Humildemente acredito que cumpri minha promessa, mas para aqueles que julgarem que não, estejam certos de que a CEU inegavelmente cumpriu a sua: tornou-me um homem muito melhor.
CEU. A CEU lhe ajudou para que pudesse estudar?

Geraldo Batista. A CEU foi fundamental, pois além do ambiente adequado para estudar, possibilitou-me viver com um orçamento mínimo, logo não precisei trabalhar efetivamente e pude me dedicar exclusivamente a minha formação, além de tempo disponível para desenvolver atividades extra-curriculares, inclusive trabalhar pela própria CEU, onde aprendi lições que em nenhuma faculdade nos será ofertadas.

CEU. Deixe uma palavra final para os leitores:

Geraldo Batista. "Cuidem de NOSSA CASA"

CEU. Obrigado pela entrevista, Geraldo Batista, a CEU lhe deseja muito sucesso, e prosperidade, em sua vida profissional e pessoal. São os nossos votos de consideração e agradecimento pelos seus muitos trabalhos realizados pela manutenção dessa Fundação e pelas suas constantes demonstrações de companheiro para com todos moradores.

Entrevista: Jarson Brenner (Departamento de Comunicação) com fotos cedidas pelo entrevistado

2 comentários:

  1. Obrigado pela oportunidade de manter—me conectado à este lugar, porque uma vez Ceuence para sempre Ceuence.

    Abraços

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  2. CEU. Deixe uma palavra final para os leitores:

    Geraldo Batista. "Cuidem de NOSSA CASA"

    Meus parabéns a todos os envolvidos!

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