10 de novembro de 2009

Ocupantes da antiga Casa do Estudante são contra auxílio-moradia de R$ 300

Durante assembleia, estudantes que ocupam de forma irregular antiga Casa do Estudante da UEL definiram que continuarão a defender o aumento das vagas e não somente o pagamento do benefício de R$ 300 mensais

“Consideramos o auxílio-moradia um privilégio. Nós não queremos isso, estamos lutando pelo reconhecimento do direito de moradia. Aceitarmos esse benefício nos envergonha.” A fala de Gabriel Gomes Muria, que ocupa o hotel que funcionava como Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina, mostra que o impasse em relação à saída dos moradores do local deve continuar. Durante a noite de domingo (8), os moradores realizaram uma assembleia, mas não definiram se aceitam ou não a proposta do Conselho Universitário que um auxílio-moradia de R$ 300 mensais.

Segundo Muria, a indefinição segue por que não houve ainda um posicionamento oficial da universidade. No entanto, ele argumentou que os estudantes definiram que o movimento continuará a defender o aumento de vagas. A atual Casa dos Estudantes, localizada no campus, oferece 80 lugares.

Para o estudante, a discussão sobre o pagamento do benefício tirou de foco a questão da moradia, o que a tornou “particularista”. “A Comissão formada pelo Conselho Universitário para discutir a questão apontou a necessidade de mais vagas. Contudo, durante as negociações, essa questão foi abandonada pela UEL, que se prendeu em pormenores do pagamento do benefício. Com isso, a decisão tende a atender o problema dos universitários que estão no hotel e para acabar com esse embate. Concordamos com a população que isso é um privilégio e não queremos isso”, afirmou Muria.

O estudante afirmou que não querem fechar o canal de diálogo com a universidade, porém, Muria disse que “espera que a UEL conduza com responsabilidade essa negociação.”

A assessoria de imprensa da UEL informou que o Conselho de Administração da instituição se reunirá na manhã da quarta-feira (11) para avaliar a proposta do Conselho Universitário.

Proposta foi aprovada pelo Conselho Universitário e contestada pelo MP

O benefício foi aprovado pelo Conselho da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na sexta-feira passada, mas o Ministério Público e o próprio reitor da universidade são contrários ao pagamento. O reitor da UEL, Wilmar Marçal, afirmou que é contrário ao pagamento da bolsa. “Respeito a decisão do Conselho Universitário, e quero ter o direito de não ser o coordenador dessa despesa, uma vez que contraria a própria recomendação do Ministério Público”, declarou, por meio da assessoria. O MP considerou como improbidade administrativa e orientou a universidade a não realizar o pagamento, de acordo com a assessoria da UEL.

O pagamento do auxílio aprovado pelo Conselho Universitário gerará um gasto de R$ 6,3 mil mensais e duraria até o mês de abril de 2010, quando ocorre uma nova seleção de acadêmicos para a Casa do Estudante instalada na UEL.

O impasse em relação à saída dos estudantes do prédio alugado na região central se arrasta desde o mês de maio, quando venceu o contrato de locação. Os custos mensais com a manutenção do local (incluindo aluguel, água e luz) para a UEL é de R$ 19 mil. O pagamento dos auxílios gerará um gasto de R$ 6,3 mil mensais e duraria até o mês de abril de 2010, quando ocorre uma nova seleção de acadêmicos para a Casa do Estudante instalada na UEL.

Reintegração de posse saiu em junho

A Justiça concedeu em junho a reintegração de posse do prédio ocupado pelos estudantes à Universidade Estadual de Londrina. No entanto, a medida ainda não foi cumprida. Segundo a assessoria de imprensa da UEL, o motivo alegado pela Polícia Militar é que não houve uma ordem da Secretaria de Segurança ou do governador do Estado.

No final de setembro, quatro moradores do prédio foram presos depois de uma confusão no momento em que a Sanepar tentou cortar a água do local. Pelo menos um estudante ficou ferido depois que o Pelotão de Choque foi chamado para conter a manifestação dos estudantes.

Daniel Costa

Fonte: Jornal de Londrina

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